Vivemos a urgência de uma construção coletiva de alternativas ao capitalismo e ao modo de vida que ele produz na perspectiva de construção da revolução ecossocialista. É uma urgência em um país que vive um momento de ameaça da entrega de suas riquezas e de retirada de direitos. Um país que está novamente sob o ataque internacional de um novo golpe político e econômico..
A crise capitalista atual nos impõe a máxima de Rosa Luxemburgo: socialismo ou barbárie.
Vivemos um momento histórico de encruzilhada de destinos e precisamos construir cotidianamente o destino que queremos para a humanidade. Eles, os capitalistas, já demonstraram que a concentração cada vez maior riqueza é o seu objetivo.
Apenas um homem, Elon Musk, concentra uma riqueza estimada em cerca de US$ 1 trilhão, que equivale à riqueza líquida somada dos 46% mais pobres da população mundial, o que representa aproximadamente 3,8 bilhões de pessoas.
O número total de pessoas deslocadas à força no mundo chegou a cerca de 114 milhões, seja por causa da crise climática ou de guerras, sendo mais de 35 milhões de pessoas especificamente sob a condição de refugiadas. Milhares de pessoas continuam a morrer afogadas no mediterrâneo.
O feminicídio cresce no mundo e em nosso país, com requintes de crueldade. O genocídio da juventude negra é alarmante. E o número de encarceramentos humanos é assustador.
O governo golpista congela os investimentos sociais em saúde e educação. Em um país com Quase 64 milhões de pessoas acima de 15 anos abandonaram ou não concluíram a escola. 8,4 milhões de pessoas com 15 anos ou mais não alfabetizadas; 44 milhões de pessoas com 15 anos ou mais sem ensino fundamental completo; 19 milhões de pessoas com 18 anos ou mais sem ensino médio completo. Isto significa 135,4 milhões de cidadãos e cidadãs sujeitos da EJA, segundo o IBGE, ou seja, 63,4% da população brasileira.
A destruição do planeta é um fato concreto apontado por vários pesquisadores e pesquisadoras. O Super El Niño já causa destruição no mundo e no Brasil e é urgente termos políticas efetivas de prevenção. Os refugiados climáticos aumentam drasticamente pelo mundo. Enquanto isso, a extrema-direita brasileira aprova políticas de devastação dos nossos biomas, a privatização da água e energia, a entrega das nossas terras raras.
A quarta revolução industrial impõe ao mundo do trabalho um processo de precarização e pejotização das relações trabalhistas. A maior empresa de transporte do mundo é um aplicativo, a Uber, que não tem um único carro. A maior rede de hospedagem do mundo é um aplicativo, Airbnb, sem nenhum quarto de hotel. O programa de inteligência artificial da IBM, Watson, já ganha do maior jogador de xadrez do mundo, já detecta tumores melhor que os médicos e jurisprudência e legislação melhor que advogados. A Amazon já faz entregas de encomendas via drone. A Alibaba tem um aplicativo de realidade virtual que você compra em uma loja da Macy's os produtos que eles vendem no site como se estivesse andando na loja. A automação vai diminuindo drasticamente a quantidade de trabalhadores em parques industriais e criando um imenso exército de reserva do precariado.
Nossas respostas e alternativas coletivas já estão sendo construídas por diferentes gerações e por nossas juventudes: nas ocupações no campo, na agricultura familiar, nas ocupações urbanas, nas ocupações nas praças e ruas, nos saraus, através de diferentes linguagens do Hip-Hop ao Funk, do grafite à pichação, do teatro, da dança, do carnaval. Nas diferentes formas de organização de subsistência com cooperativas e projetos que emancipam economicamente diversos setores da nossa classe totalmente alijado do “futuro” das grandes empresas.
Nas lutas pela diversidade: pelos direitos das mulheres, pelos direitos à diversidade étnica/racial, pelos direitos LGBTs, pelos direitos à diversidade geracional, pelos direitos à multiplicidade religiosa/espiritual.
Para nós, a construção da revolução socialista se dá em cada ação cotidiana individual e coletiva. Ela incorpora, necessariamente, o debate da classe trabalhadora em toda a sua diversidade humana. Ele exige a reconstrução da solidariedade como princípio ético das ações individuais e coletivas. Ela se constrói a partir de agora, em cada ação de resistência que somos capazes de construir.